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segunda-feira, 19 de outubro de 2009

O Opressor Hino de Santa Catharina


Por: AFC Custódio

- O Hino de Santa Catarina, símbolo maior musical do Estado, é muito belo cantado coletivamente, o problema é achar o coletivo, uma vez que seu povo não sabe cantá-lo, em comemorações oficiais o que vemos é o silencio por parte dos participantes e somente o som do aparelho... Poucos conhecem e se arriscam a cantar.

- O problema não é somente que a escola não o ensina, afinal, só se aprende algo que seja de interesse da pessoa, aprender forçado ninguém aprende, e um hino como o do nosso estado é quase impossível de se ensinar, pois não vejo ali algo que identifique ele como Barriga-Verde.

-Com um país que só vem nos explorando e nos calando em nossas manifestações (República Catharinense, Contestado, Floriano Peixoto, Novembrada, Revolta Federalista, dentre tantas) olha o que o hino vem dizer disso tudo:

"Com festas e flores o trono esmagou."

- O trono esmagou? O trono nos esmagou, nos esmaga e continuará assim! Um estado tão belo como o nosso, não merece o hino que tem, o estado pioneiro do sul, com uma historia tão linda e nosso hino apenas abolicionista, abolição aquela que na guerra dos farrapos éramos a favor e o "trono" contra... Depois, para se redimirem, nos castigaram com esta musica abolicionista que nem sequer cita o nome de Santa Catharina.

- O que mais me intriga é que de fato os seus criadores nem sequer Barrigas-Verde não eram. E essa vergonha já perdura mais de cem anos. Melhor vale dizer que o Estado ainda não possui hino oficial! Teoricamente, os hinos dos estados deveriam ter a mesma função dos nacionais, comemorar a comunidade dos cidadãos, que formam uma nação (aglomerado de pessoas com cultura semelhante, idioma, linguagem e etc.).

- Não te esqueça Catharinense, que uma parte deste hino nos descreve, a única que me identifico:

"É cada homem um bravo,
“Cada bravo um cidadão.
”

- Não te cale diante um regime cultural opressor... Nosso estado tem sido humilhado de forma brutal e vejo poucos agindo... Levanta-te Catharina! Levanta-te!

sábado, 22 de agosto de 2009

Revista História Catarina


Por: Israel Silvy

Hoje quero deixar uma dica mais do que quente para a minha querida nação Barriga Verde. Trata-seda revista História Catarina. Em sua 13ª edição esta obra prima nos traz bimestralmente, fatos que foram marcantes em nossa história. A Conquista do Oeste, Anita e Giuseppe Garibalde, A Novembrada, já foram capa da revista entre outros tantos assuntos tão importantes. Nesse mês a revista nos traz matéria sobre a 2ª Guerra Mundial e sua influencia na vida dos Catarinenses.

Quero agradecer a todo o grupo de trabalho da revista. Sempre com artigos imparciais, nos deixando por dentro de detalhes (infelizmente) esquecidos e claro cada vez mais orgulhosos de nós.

Abaixo segue o link do site da revista:



NÃO DEIXEM DE COMPRAR.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Festival de Dança de Joinville


Por: AFC Custódio

O Festival de Dança de Joinville foi criado em 1983 e ocorre
anualmente nos meses de Junho ou Julho em Joinville, Santa Catarina.
Atualmente, é considerado, pelo Livro Guinness dos Recordes, como o maior evento
do gênero do mundo em número de participantes - cerca de 4.500 bailarinos.
Cada edição do festival dura pelo menos 10 dias. Junto com o festival,
vários outros eventos acontecem como a Mostra de Dança Contemporânea (não competitiva),
o Festival Meia Ponta (para crianças) e a Feira da Sapatilha.

Neste ano onde o Festival de dança de Joinville completa os seus 27anos,
o evento quase foi cancelado por causa da Gripe H1N1,
e não é por menos, a cidade recebe milhares de turistas e bailarinos de diversas cidades
do Brasil e muitos grupos vindos de fora do país, como Argentina, Uruguai…,
e com eles vem a possibilidade de estarem contaminados com o vírus e a possibilidade
de passar para outras pessoas, já que os ambientes que essas pessoas se expõem são
fechados e com pouca ventilação, proporcionando um ótimo local para propagação do vírus.

Pois bem, não seria um vírus na qual iria quebrar uma tradição Barriga-verde
o 27º Festival de Dança de Joinville continua fazendo justiça a sua fama de maior e
mais completo festival de dança, com oficinas, cursos, seminários, encontros
entre outros na qual deixa fascinado todos aqueles que o assistem. Estamos
todos torcendo para que este grande evento continue crescendo, mostrando
ao mundo o que nosso estado pode fazer através da expressão artística da dança!
Parabéns aos Organizadores, competidores e todos os diretamente ou indiretamente
envolvidos nessa corrente!

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

As bandas Catarinenses


Por: Israel Silvy

Não é de hoje nossa mania de escutar nas rádios musicas estrangeiras ou nacionais, deixando de lado as bandas Barrigas verdes. Infelizmente a mídia busca o que da ibope. Mais e nós? Buscamos o que? A “qualidade” muita vezes claramente baixa? Ou quem sabe a “modinha”, para estarmos iguais a todo mundo? Talvez a desculpa seja a suposta falta de boas bandas no estilo que a pessoa deseje?
Bom o fato é que nenhuma dessas desculpas podem ser justificadas de maneira decente. O fato é que temos muitas bandas boas por aqui SIM, mais infelizmente estão sob a nuvem que esconde a qualidade em favor do modismo e do fator comercial.
Não fosse isso como alguém poderia imaginar esses sertanejos, pagodeiros e essas bandas de rock emo fazendo sucesso a base do corte de cabelo, bumbum arrebitado e com músicas extremamente discutíveis desde a letra até a qualidade vocal?
Por aqui virei fã incondicional do trabalho da banda DAZARANHA. O som com qualidade e bem ao estilo Mané da Ilha. Também posso citar bandas que talvez muitos aqui achem fracas, mais com toda certeza um ouvido mais “clínico “ saberá classifica-los no mínimo de igual nivelamento com a maioria das bandas nacionais (e uma quantidade enorme de internacionais) como, John Bala Jones, Tribo da lua e Nóis na Aldeia.
Pra quem gosta de Rock, mando ai uma dica muito quente, trata-se da banda AEROCIRCO. Tem vários vídeos deles no Youtube, qualquer pesquisa rápida você já pesca um.
Algumas dicas ai pra galera:
Aerocirco – Ser quem eu sou.
http://www.youtube.com/watch?v=sfaYlI7P17c&feature=related
Dazaranha – O Mané.
http://www.youtube.com/watch?v=tDzazXgW4Ec
VALORIZEM O QUE É NOSSO MINHA GENTE BARRIGA VERDE!

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Boi-de-Mamão


Por: Israel Silvy

A gente cresce, mais sempre tem aquelas lembranças felizes de fatos marcantes da época em que éramos pequenos. A que sempre me martelou a cabeça foi uma apresentação do Boi de Mamão. O vaqueiro laçando o boi, as maricótas dançando e fazendo todos se esquivarem de seus longos braços, os macacos, as cabrinhas, ursos branco e Preto e claro não poderia deixar de citar a Bernúncia. Muitos dizem que ela é a representação do “Bicho papão”. Se é não sei, só sei que ela me dava um medo danado, assim como hoje deixa as criancinhas tremendo de medo. Bom o tempo passou, e eu nunca mais tinha visto um grupo de boi se apresentado até que por acaso numa inauguração de uma loja, lá estava o Boi dançando. Parei na hora pra ver muito feliz principalmente porque minha filha estava junto comigo, podendo ver e sentir de perto a manifestação da cultura da nossa terra. O grupo era o “Alevanta meu boi” do Ingleses. Conversando com eles, constatei a triste noticia de que hoje contamos com pouquíssimos grupos de Boi de Mamão. Depois disso já levei crianças para assistirem suas apresentações 3 vezes e os trouxe na minha comunidade para fazerem uma apresentação também. Pretendo sempre que possível estar levando as crianças da minha família para ver as apresentações, porque sei da importância da cultura no desenvolvimento social de cada um de nós e também da importância da preservação da cultura local.
Deixo aqui um apelo a todos que lutem para preservar nossa cultura, não deixando morrer o que é nosso e nem deixando ser trocado por uma cultura alheia as nossas origens.
Deixarei abaixo links para que todos possam ficar por dentro do que é o Boi de Mamão:
Grupo Alevanta meu Boi, reportagem sobre o Boi de mamão:
Para o meu orgulho acabei por descobrir um link das músicas do grupo “Alivanta meu Boi” feito com fotos justamente da vez em que eu os levei na minha comunidade. www.youtube.com/watch?v=P16_v54vd3k&feature=related
Para conhecer o Boi de Mamão: http://www.manezinhodailha.com.br/subweb_portalboidemamao.htm

terça-feira, 21 de julho de 2009

Hino de Santa Catharina


Por: AFC Custódio

Letra: Horácio Nunes
Música: José Brazilício de Souza

Sagremos num hino de estrelas e flores
Num canto sublime de glórias e luz,
As festas que os livres frementes de ardores,
Celebram nas terras gigantes da cruz.
Quebram-se férreas cadeias,
Rojam algemas no chão;
Do povo nas epopéias
Fulge a luz da redenção.

No céu peregrino da Pátria gigante
Que é berço de glórias e berço de heróis
Levanta-se em ondas de luz deslumbrante,
O sol, Liberdade cercada de sóis.
Pela força do Direito
Pela força da razão,
Cai por terra o preconceito
Levanta-se uma Nação.

Não mais diferenças de sangues e raças
Não mais regalias sem termos fatais,
A força está toda do povo nas massas,
Irmãos somos todos e todos iguais.
Da liberdade adorada.
No deslumbrante clarão
Banha o povo a fronte ousada
E avigora o coração.

O povo que é grande mas não vingativo
Que nunca a justiça e o Direito calou,
Com flores e festas deu vida ao cativo,
Com festas e flores o trono esmagou.
Quebrou-se a algema do escravo
E nesta grande Nação
É cada homem um bravo
Cada bravo um cidadão.

link: www.tce.sc.gov.br/files/file/coral/ma_sicas/15_faixa_15.wma

quarta-feira, 8 de julho de 2009

As bruxas roubam a lança baleeira de um pescador da ilha


Por: AFC Custódio

"Contou-me um narrador de estórias de assombração que, na Costa da Lagoa da Conceição da Ilha de Santa Catarina, em anos que já vão longe de nós, morou um pescador que possuía várias embarcações para os serviços de pesca, entre as quais, também uma lancha baleeira.
Balduíno da Prudência era o nome do pescador. Ele era um homem muito trabalhador e cuidadoso. Tratava com carinho suas embarcações e equipamentos de pesca, e mantinha o rancho onde guardava sempre fechado à chave.
Na manhã de uma sexta-feira, quando ele, acompanhado pelos seus camaradas, dirigindo-se para o rancho a fim de retirar as embarcações para ir à pescaria, encontrou a lancha molhada e com muita areia de praia espalhada sobre o fundo, o que causou grande surpresa a toda a tripulação, pois a haviam deixado enxuta e limpa, na véspera, ao recolherem-na para o interior do rancho.
Comentando e analisando o fato, eles chegaram à conclusão de que a maré daquela noite havia sido alta e, pela razão citada, não podiam encontrar nenhuma pegada na praia e, portanto, não havia vestígio para afirmarem que alguém havia retirado a lancha do rancho, mesmo porque as portas estavam fechadas à chave e, as quais encontravam-se em poder de seu dono. Por via das dúvidas, daquele dia em diante, o pescador passou a observar com muita atenção o estado da embarcação nas manhãs de sextas-feiras. Obteve resposta para seu matutamento e desconfiança, quando, na manhã, ao abrir o rancho para vistoriar sua embarcação, encontrou-a molhada e muito suja de areia.
Sabedor que era de que, naquele ano e naquele lugar, Lagoa da Conceição, as endiabradas e perigosas mulheres bruxas vinham desenvolvendo grandes atividades diabólicas contra as inocentes criancinhas da comunidade, chupando-lhes o sangue até dá-las à sepultura, zombando sarcasticamente das fortes rezas e bem urdidas armadilhas que se lhes preparavam. Toda a tripulação foi unânime em concordar com a desconfiança do velho pescador: aquele serviço só podia ser obra das temíveis mulheres bruxas.
Homem intrépido que era, acostumado a enfrentar fortes tempestades, frio, fome, sede e outras sensações diversas diariamente em sua árdua profissão de pescador artesanal, não titubeou em enfrentar mais um estranho caso que o destino lhe colocou frente a frente, como um desafio à sua coragem de indomável homem do mar. Sempre respeitou as coisas do outro mundo, nunca lhas tocou nem de leve com escárnio ou zombaria e, também, nunca duvidou da sua existência e atividades aqui neste mundo de sofrimentos e tributações várias.
Matutando, certo dia, ocorreu-lhe uma idéia de traçar um plano bem urdido para poder certificar-se verdadeiramente, se, de fato, eram as terríveis mulheres bruxas as autoras responsáveis por aqueles embustes que tanto o preocupavam. Traçou um plano tecnicamente muito louvável, que foi o seguinte: colocou uma taramela na porta da gaiuta da lancha, pela parte de dentro e, ao entardecer de uma sexta-feira, meteu-se dentro dela, fechou a porta por dentro com a taramela e aguardou o resultado dos acontecimentos.
Não tardou, havia passado alguns minutos, ele ouviu vozes estranhas de mulheres dentro do rancho e viu quando a porta foi aberta e a sua lancha arrastada para o mar, sobre as estivas que ele usava. Na porta da gaiuta ele havia feito um pequeno furo, de onde espiou e viu um, quadro horrível e descomunal. Nunca imaginado por ele, nem por nenhuma criatura humana. Viu, dentro de sua lancha, uma caterva de mulheres nuas de fisionomias horrendas, corpo disformes e esqueléticos, mãos com unhas pontiagudas, enfim, um quadro dantesco, sinistro e demoníaco.
A mulher bruxa que ocupou o lugar de patrão sobre o castelo de popa da lancha apresentava o corpo coberto de escamas negras e eriçadas, as unhas das mãos e dos pés eram feitas lanças e espadas. Os cabelos eram muito compridos e caíam pela popa da lancha espalhando-se sobre o mar, deixando no seu rastro um fogo de ardentia, de comprimento incalculável. Dos olhos, chamejavam dois fachos de luz que clareavam a frente da embarcação 8 grande distância. Cada banco da lancha estava ocupado por um monstro bruxólico que manejava o remo de voga. Quando iniciaram a viagem mar adentro, a misteriosa e agressiva bruxa-velha-chefe. que estava comandando a lancha, soltava gritos lancinantes enfurecidos. Esbravejava, pronunciando palavras de alerta às suas comandadas de que, dentro da embarcação, havia presença de um corpo humano, em estado natural:
- Aqui nesta embarcação está cheirando a sangue real!
A bruxa que estava sentada no banco da popa da lancha junto da gaiuta onde o pescador estava escondido, era comadre e prima dele. Ela sabia da presença dele ali, através do faro fadórico sobrenatural. Para protegê-la, todas as vezes que a temível bruxa-patrão esbravejava "está cheirando a sangue real nesta embarcação," ela respondia com todo vigor bruxólico para as suas colegas de sina demoníaca:
- Remem, suas éguas, e que cada remada avance uma légua, pois o galo branco já cantou e o amarelo já cacarejou.
Esta advertência para as colegas significava que deviam se esforçar para chegar ao lugar de destino e retornar sem serem molestadas pelo canto do galo preto, que significava, para a sina delas, o desencanto total. E assim, vencendo léguas por segundo em cada remada que davam, aportaram no lugar que haviam escolhido para levarem a cabo as suas sinistras diabruras e, dentro de pouco tempo, retornarem à lancha e viajarem em direção ao porto de saída. Assim, cumprindo à risca os projetos em questão, arquitetados, e muito bem arquitetados, porque os planos bruxólicos são autênticos, ao chegarem na praia desembarcaram, puxaram a lancha até meia maré e desapareceram.
O pescador, de dentro de seu esconderijo, observava com toda atenção e cuidado os movimentos delas, porém não conhecia os seus linguajares. verificando que estava livre de qualquer cilada por parte delas, abriu a porta da gaiuta, saltou de dentro da lancha, pôs olho de observação em volta do local e, com muita cautela, colocou um punhado de areia daquela praia dentro do bolso, colheu um ramo de rosas de um jardim de uma casa próxima dali e, rapidamente, recolheu-se ao seu esconderijo. Nem era passada uma fração de segundos, as endiabradas se apossaram novamente da lancha, ocupando seus devidos lugares e a soltaram mar afora.
Durante toda a viagem de ida e volta, a bruxa-patrão advertia, insistentemente, as suas comandadas, de que ela tinha plena certeza bruxólica de que, dentro daquela embarcação, havia presença de sangue real. A comadre do pescador, a bruxa que sabia da sua presença ali dentro da gaiuta, acompanhou a saída dele lá na praia onde desembarcaram e viu quando ele apanhou a areia e as flores. Durante toda a viagem de volta, quando a sua chefe esbravejava contra a presença de sangue real, ela a interrompia com muita segurança e habilidade: Remem, suas éguas, e que cada remada avance uma légua, pois os galos brancos e os amarelos já cantaram e os pretos já miúdaram.
E assim, com esses argumentos, ela defendeu o seu compadre e parente das unhas daquelas terríveis mulheres bruxas, mesmo porque também não podiam perder tempo à procura do sangue do pescador que se achava dentro da gaiuta. Ela sabia tão bem quanto todas as lições bruxólicas que haviam aprendido, quando calouras, de que, se fossem colhidas em estado fadórico pelo canto do galo preto, se desencantariam dentro da lancha, em pleno mar, e o pescador reconheceria todas quando apresentassem a sua nudez humana. E continuaram a viagem esbravejando, remando, desafiando a velocidade do tempo, até que chegaram ao porto de partida na Ilha de Santa Catarina, na Lagoa da Conceição.
Desembarcaram, abriram o rancho, recolheram a lancha dentro dele e desapareceram, num pealo, dos olhos do pescador.
O pescador, logo que se viu livre delas, apanhou a areia e as rosas que recolheu no porto onde elas o levaram e retirou-se para sua casa. No dia seguinte, ele tomou a areia e as rosas e passou a mostrá-la a toda gente da comunidade, na intenção de que alguém adivinhasse ou acertasse a procedência delas ou sua terra de origem. Não encontrou pessoa alguma que conseguisse dar uma opinião aproximada, pois nem ele mesmo era capaz de calcular onde esteve, levado por elas.
Certo dia, quando ele menos esperava, a bruxa, sua comadre apareceu em casa dele para visitar o afilhado. Ela mantinha uma amizade muito forte e íntima com uma de sua filhas, a Gracinda, que era uma moça casadoira e muito religiosa. Conversa vai e conversa vem, ele chegou até a comentar com ela o fato desagradável que com ele acontecera e que muito o impressionara.
- Comadre, eu estive num lugar muito longe, dentro da noite, e, às apalpadelas, dentro da escuridão, consegui recolher um punhado de areia e umas rosas, porém desconheço o lugar de sua origem. Já as mostrei a muita gente e ninguém, assim como eu mesmo, conseguiu identificá-las. - Quando ela colocou os olhos por riba da areia e das rosas, suas faces enrubesceram, seus olhos se esgazearam e sua fala emudeceu. Recuperando-se, ela afirmou - Compadre, a terra de origem deste punhado de areia e deste ramalhete de rosas é a Índia. Eu aprendi na minha escola de iniciação à bruxaria que lá, nos Açores, na terra dos nossos antepassados, as bruxas também costumavam roubar embarcações e fazerem estas viagens extraordinárias entre as ilhas e a Índia, em escassos minutos marcados pelos relógios do tempo. Também aqui as mulheres continuadoras dos elementos diabólicos do reino de Satanás, cujas chefes enfeixam em suas mãos os poderes emanados Dele, praticam as mesmas peripécias. Eu, compadre, afirmo-lhe com convicção certa de que as suas vidas, naqueles momentos, estiveram guardadas no repositório das minhas mãos. A bruxa-chefe, que comandava a embarcação, tinha plena certeza da presença real de sangue humano dentro da lancha e, de vez em quando, ela chamava a atenção de suas comandadas para que investigassem onde estava o elemento que o possuía. Mas eu procurei sempre com muita altivez e precisão bruxólica, atraí-las para pontos distantes que podiam atrapalhar nossa viagem, quais eram os cantares dos galos. Hoje o senhor vai saber com precisão que, dentro da sua embarcação, fazendo aquela viagem bruxólica entre.a Ilha de Santa Catarina e a Índia, estavam as mulheres bruxas mais respeitáveis, misteriosas, prepotentes e malignas que vivem o reino rubro do rei Anjo Lúcifer. Se o senhor não foi trucidado por elas, agradeça à minha presença na sua lancha, metamorfoseada em bruxa, sentada no banco de popa na frente da gaiuta, onde se achava escondido.
Ela declarou-se bruxa para o compadre e acusou-se de estar chupando o sangue do filho dele, seu próprio afilhado de batismo, e denunciou todas as demais, inclusive a chefe do bando que encetara aquela viagem.
O velho pescador ficou atarantado e, num repente, correu até a cozinha, apanhou um rabo de tatu que estava no fumeiro, aplicou-lhe uma boa surra de repreensão por riba do corpo e salgou as feridas do desencanto com sal e pimenta, do desespero que ele via no amargar do empresamento do seu filhinho.
Muitas. vezes - pensou consigo mesmo o audaz pescador - escutei conversas em ajuntamento de pessoas, no inverno, aquecendo-se ao pé do fogo de fogão de trempo de ferro, em cozinhas de assoalho de chão batido, de que as mulheres bruxas açorianas eram temidas pelo povo das ilhas, devido às práticas de suas más-artes.
"Depois da tremenda refrega demoníaca que ganhei, sem atinar porque carga de pecado cometido, de uma coisa tenho plena certeza: quem me defendeu das unhas carniceiras daquelas megeras éguas bruxas foi o meu breve milagroso, que carrego sobre o peito, desde o tempo da minha bisavó Lucreça, que era uma exímia benzedeira curandeira e que fez parte das levas de colonos que viajaram amontoados dentro de porões fétidos de barcos veleiros, na santa esperança de se radicarem aqui nesta Ilha de Santa Catarina e viverem melhores dias na santa paz do senhor, já que a sua terra natal só podia oferecer-lhes misérias econômicas, minguadas e escassas." Franklin Cascaes

segunda-feira, 22 de junho de 2009

A Guerra dos Pelados (Sylvio Back, 1970)


Por: AFC Custódio

A Guerra dos Pelados (Sylvio Back, 1970)


Gênero: Drama
Duração: 98 min
Direcão: Sylvio Back

Elenco:
Irineu Adami, Otávio Augusto, João Miguel Barbizan

Sinopse:
O filme é baseado no episódio histórico da Guerra do Contestado (1912-1916),
quando em 1913, em Santa Catharina, houve um conflito envolvendo concessão de terras para exploração de seus recursos por uma empresa extrangeira, e uma estrada de ferro para facilitar a exploração de seus recursos por ela gera revolta dos ex-propriados. Reunidos em torno de um reduto messiônico, os 'pelados' reagem, gerando violento conflito com o exército, lembrando Canudos. Baseado em fatos reais, Filmado em Caçador (Santa Catharina), roteiro chegou a detalhes na guerra corpo a corpo e na estratégia militar.

Encerra-se depois que os pelados sofreram duro golpe em Taquaruçu, onde 700 soldados da República os fazem recuar e fugir para Caraguatá. As cenas finais são dos sobreviventes, a cavalo e a pé, rumando para Caraguatá, já sob liderança de resistência de Adeodato e sob liderança espiritual de Maria Rosa, a jovem com 15 anos de idade.

link: http://www.megaupload.com/?d=UHGYCVC0

sábado, 20 de junho de 2009

A Casa das 7 Mulheres


Por: AFC Custódio

Este romance produzido pela RBS e Rede Globo, mostra a Guerra dos Farrapos - (1835-1845) e suas conseqüências maléficas sobre o destino de homens e mulheres. O líder do movimento, Bento Gonçalves da Silva, isolou as mulheres de sua família em uma estância afastada das áreas em conflito com o propósito de protegê-las. A guerra começou a se prolongar. E a vida daquelas sete mulheres confinadas na solidão do pampa começou a se transformar...

download links:

» CD1 - http://www.megaupload.com/?d=5ZDMY3IS
» CD2 - http://www.megaupload.com/?d=YOZYO9RX
» CD3 - http://www.megaupload.com/?d=KLSLFM6B
» CD4 - http://www.megaupload.com/?d=3N8VE13R
» CD5 - http://www.megaupload.com/?d=E6WIGQN8
» CD6 - http://www.megaupload.com/?d=YABNW79B
» CD7 - http://www.megaupload.com/?d=ZRG8LZSD
» CD8 - http://www.badongo.com/vid/926750
» CD9 - http://www.badongo.com/vid/926777
» CD10 - http://www.badongo.com/vid/926782
» CD11 - http://www.megaupload.com/?d=K099VPU2
» CD12 - http://www.megaupload.com/?d=UE7TO9BG
» CD13 - http://www.megaupload.com/?d=333EI07R
» CD14 - http://www.megaupload.com/?d=FKPUAECD

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Balanço da festa do Pinhão 2009


Por: AFC Custódio

Resultado da 17ª Sapecada da Canção Nativa
1º LUGAR - Milonga para cantar querência
Ritmo: Milonga
Letra: Sérgio Carvalho Pereira
Música: Cristian Camargo
Intérpretes: Lisandro Amaral / Luiz Marenco / Índio Ribeiro

2º LUGAR - Chora gaita véia
Ritmo: Rasguido-doble
Letra Mauro Moraes
Música: Mauro Moraes
Intérprete: Pirisca Grecco

3º LUGAR - Toada em voz de silêncio
Ritmo: Toada
Letra: Adriano Alves e Otávio Severo
Música: Raineri Sphor
Intérpretes: Raineri Spohr / André Teixeira

MELHOR TEMA SOBRE A REGIÃO SERRANA – Quando tomba um pinheiro
Ritmo: Milonga Canção
Letra: Milton César Hoff e Jucemar dos Anjos
Música: Juliano Moreira Ramos e Itacir Vieira da Silva
Intérprete: Itacir Vieira da Silva

MELHOR TEMA CAMPEIRO – Domingo de campanha
Ritmo: Xote
Letra: Alberto Ventura Neto
Música: Alberto Ventura Neto
Intérprete: Alberto Ventura Neto

MELHOR CONJUNTO VOCAL – Milonga para cantar querência
Ritmo: Milonga
Letra: Sérgio Carvalho Pereira
Música: Cristian Camargo
Intérprete: Lisandro Amaral / Luiz Marenco / Índio Ribeiro

MELHOR ARRANJO – Quatro cantos do planeta
Ritmo: Chacarera
Letra: Rodrigo Bauer
Música: Ângelo Franco
Intérprete: Shana Müller

MELHOR MELODIA – Milonga para cantar querência
Ritmo: Milonga
Letra: Sérgio Carvalho Pereira
Música: Cristian Camargo
Intérpretes: Lisandro Amaral / Luiz Marenco / Índio Ribeiro

MELHOR LETRA – Toada em voz de silêncio
Ritmo: Toada
Letra: Adriano Alves e Otávio Severo
Música: Raineri Sphor
Intérpretes: Raineri Spohr / André Teixeira

MELHOR INSTRUMENTISTA – Rodrigo Maia ( Em Quatro cantos do planeta)
MELHOR INTÉRPRETE – Pirisca Grecco (Em Chora gaita véia)

MÚSICA MAIS POPULAR – Domingo de campanha
Ritmo: Xote
Letra: Alberto Ventura Neto
Música: Alberto Ventura Neto
Intérprete: Alberto Ventura Neto

terça-feira, 9 de junho de 2009

Oktoberfest Blumenau - RESPOSTA


Por: AFC Custódio

Fora enviado aos organizadores da Oktoberfest - Blumenau, a nossa matéria referente a música eletrônica publicado no dia 07 de Junho de 2009, o R.I.P. OKTOBERFEST BLUMENAU. Recebemos um e-mail em resposta na qual iremos publicar para que assim todos tenham acesso a ela, grato ao Norberto Mette, Presidente do Parque Vila Germânica pela atenção, e segue abaixo sem alterações:

"Caro (...)



Sua preocupação com a qualidade cultural da Oktoberfest é altamente bem vinda e elogiavel.

Precisamos informar-lhe que a partir de 2005 retomamos o projeto original da festa, reposicionando a festa no mercado turístico nacional, fazendo modificações importantes quanto à preservação cultural. Revitalização da gastronomia, que estava em franca decadência, obrigatoriedade de 90% de musica alemã, tematização dos desfiles, intensificação da programação de grupos folclóricos, inclusive de outras regiões alemãs do país, liberação do ingresso para quem usa traje típico, pavilhão cultural, biergarten, cervejas artesanais, novas bandas alemãs, etc., etc.,

Ainda, a principal modificação, foi passar a "vender" nossa festa como a "Maior festa alemã da América", deixando de lado os rótulos como maior festa da cerveja, segunda maior festa da cervaja do mundo, segunda maior oktoberfest, e outros tanbtos chavões que transformaram nossa festa, durante um bom período, numa "festa de bêbados".

A nossa festa hoje tem um público qualificado, com bons índices de consumo, baixissimos índices de ocorrências policiais, e, sobretudo, um excelente índice de crescimento que foi alcançado graças às modificações realizadas.



Assim, ninguém mais do que nós tem preocupação quanto à qualidade, característica germânica e preservação cultural. Sabemos que isso é fundamental em termos de marketing e para que não enganemos nossos clientes.



Sua visão quanto à introdução de musica mecânica infelizmente está equivocada. Não se trata de "rave" nem "tunts tunts", que aliás é coisa muito chula.

Os DJ,s alemães que estarão em dois dias da semana e apenas em um pavilhão são artistas de alto nivel da moderna música alemã eletrônica e que certamente `trarão à festa um novo espaço, moderno, da Alemanha contemporânea, conquistando um novo público, que atualmente não vem à festa porque não gosta da musica tradicional.



O setor 3 oferecerá, nestes dias, uma proposta diferente, com cenografia, iluminação e alta qualidade musical. Não se maculará a imagem de festa alemã.

Apenas estamos, como temos feito, nos últimos 4 anos, melhorando a festa a cada edição.



Tenho certeza de que se você vier gostará do que vai ver e concluirá que festa alemã não se pode limitar apenas às musicas trazidas pelos imigrantes.



Um abraço



Norberto Mette

Presidente do Parque Vila Germânica



Em tempo: ajude a divulgar a maior festa alemã da América. Publique nossa resposta em seu blog.

Obrigado."

domingo, 7 de junho de 2009

R.I.P. Oktoberfest Blumenau


Por: AFC Custódio

A Oktoberfest em Blumenau, Santa Catharina, é mais que uma festa, é um grito cultural barriga-verde,
onde lembramos uma das maiores descendencias do estado, a Alemã. Um evento que talvez seja o mais famoso do estado,
a maior festa alemã das américas, e definitivamente o maior do chopp no país. No entanto, seus organizadores estão se esquecendo
de seu significado , cultura, algo para divulgar, e concerva-la, e hoje estao querendo expressa-las com DJ's e músicas eletronicas,
fugindo da origem do festival, denegrindo nossa imagem e invalidando nossa identidade, qual será o proximo passo? Ivete Sangalo? Troquemos
o chopp pelo ecstasy!
Nada contra esse tipo de música e seus admiradores, mas tudo tem sua hora e seu lugar, eventos em nosso estado devem tirar as tendencias
da mídia que sempre expoe culturas do eixo Rio-SP e seguir as nossas, festa do pinhao por exemplo, era para ser um festival de música nativista,
hoje tem shows de NXzero, e duplas sertanejas, faz parecer que somos ou muito manipulados pela mídia ou temos um complexo de inferioridade
para com a cultura deles, em todo caso estão relacionadas. Nossa cultura quem deve dar valor somos nós, se nao o fizermos ninguem fará isso
pelo nosso povo, pelo amor de Deus, abram os olhos, "tunts tunts" na Oktober não! Façam dela um evento cultural e não tendencias de moda a seguir!

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Pedro Raymundo


Por: AFC Custódio

-Nascido no dia 29/06/1906, no munincipio de Imaruí-SC, Pedro Raymundo fora talvez o maior de todos os gaiteiros que a música nativista ja conheceu, lançou vários discos de sucessos nas rádios de todo o país, Pedro fora o primeiro musico a se caracterizar com trajes típicos gaúchos, o mesmo influenciou o pernambucano Luiz Gonzaga a adotar o chapéu de couro e o gibão. Conquistou a admiração de milhares de brasileiros dentre eles, ilustres como Getúlio Vargas, João Goulart e Leonel Brizola, gravou 2 filmes, Uma Luz na Estrada (1949) e Nobreza Gaúcha (1958). Mais tarde, esse ilustre Barriga Verde foi esquecido pela midia nacional, falecendo em 09/07/1973, e hoje caindo no esquecimento, deste grande músico só resta a lembrança naqueles que viveram Pedro Raymundo, como este herói da gaita viveu para nós.
De presente divulgo este especial para a TV Carris.Raridade: Pedro Raymundo no filme Nobreza Gaúcha, de 1958. Não há cópias comerciais deste filme e esse é o primeiro trecho disponível na internet. Ex-condutor de bondes da Companhia Carris Porto-Alegrense, o gaiteiro Pedro Raymundo foi o primeiro artista a fazer sucesso nacional vestido como um gaúcho típico. Seu maior sucesso é o xote "Adeus, Mariana", de 1943. Um dos astros da Rádio Nacional, inspirou Luiz Gonzaga a apresentar-se caracterizado como nordestino. Nesta cena, Pedro Raymundo interpreta a Canção do Tropeiro. Em 2006, celebrou-se o centenário de seu nascimento. Para homenageá-lo, a Companhia Carris (www.carris.com.br) realizou uma exposição no Mercado Público de Porto Alegre, por onde circulam diariamente 100 mil pessoas.
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